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Seguindo nossa série especial de textos sobre viagens para o Sul da África, falaremos sobre um dos parques mais famosos do mundo: Kruger Park.
A Ambiental Turismo possui ampla experiência em destinos como este, pois a África do Sul faz parte de nosso portfolio há mais de 20 anos.
Não há como descrever a sensação de estar diante de leões ou elefantes soltos na selva e isso só pode ser vivenciado por meio de um safári – também chamado de game drive –, um dos passeios mais desejados por viajantes curiosos que não dispensam uma boa dose de adrenalina. E quando o assunto é natureza selvagem, não há melhor lugar do que a África.
O Parque Nacional Kruger, na África do Sul, é um dos parques mais conhecidos do planeta, mais visitado do continente e considerado um dos melhores para a realização de safaris em todo o mundo.
Criado em 1926 – com regras extremamente rígidas para a conservação ambiental e preservação de vidas selvagens raras que, em muitos casos, só existem ali –, o Kruger ocupa uma área de aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados e fica exatamente na fronteira da África do Sul com Moçambique.
Ali é muito provável que o turista consiga avistar os famosos “Big Five”: leão, leopardo, elefante, hipopótamo e rinoceronte. Porém, o Kruger tem muito mais a oferecer, como os guepardos, as girafas e as zebras, que são personagens coadjuvantes, mas muito importantes neste show.
Ainda falando em animais, os números são nada menos que impressionantes. Ao todo, ali vivem livremente mais de 500 espécies de pássaros, 147 de mamíferos, 34 de anfíbios, 114 de répteis, 227 de borboletas e 49 de peixes, todos cercados por uma vibrante flora.
Quer mais? Há fortes indícios de que o primeiro homem pré-histórico tenha pisado na região entre 100 mil e 500 mil anos atrás.
Mas, atenção: os passeios para observação desses animais são um programa que pode demandar boas doses de paciência e, por isso, não se recomenda levar crianças abaixo dos seis anos de idade. A boa notícia é que há reservas que oferecem pacotes ideais para as famílias e os pequenos.
Formas de aproveitar o que o Kruger tem de melhor
Para aproveitar os game drives realizados – geralmente em veículos 4X4 –, os turistas podem optar por se hospedar dentro dos limites públicos do parque, em uma reserva privada fronteiriça ao parque, mas que conta com a livre circulação dos animais ou, ainda, fora de suas dependências.
Os passeios são uma ótima forma não apenas de observar, como também fotografar a vida animal em seu habitat natural. Confira:
1- Hospedagem na porção pública do parque
Com uma área do tamanho de Sergipe, a porção pública do Kruger é cortada por pistas asfaltadas e estradas de terra em excelentes condições. Os passeios guiados são feitos somente nas trilhas demarcadas, duram entre três e quatro horas e acontecem logo nas primeiras horas da manhã e ao fim da tarde.
Os veículos que levam os grupos para visualizar os animais são maiores, acomodam até 20 pessoas e possuem cobertura nas laterais e na parte de cima, o que deixa os visitantes mais protegidos, mas mais distantes da natureza.
Sobre a segurança, há regras que devem ser seguidas à risca. Exemplos são a velocidade máxima permitida nas estradas asfaltadas, pelas quais os veículos passam em no máximo 50 quilômetros por hora e a permanência dos visitantes dentro dos veículos é obrigatória.
No parque existem variadas opções de hospedagem, com excelente estrutura de acomodação, desde campings com extremo conforto, até lodges bastante luxuosos. Estes, oferecem estadias com ampla comodidade, incluindo passeios e outros serviços como spa, bares e restaurantes.
Entre algumas das hospedagens luxuosas estão o Jock Safari Lodge e o Lukimbi Safari Lodge. Mas, talvez, uma das mais conhecidas hospedagens seja o Skukuza Rest Camp, considerado a “capital” do Kruger Park. É um lugar bastante agitado e inclui facilidades como lojas, lan houses, restaurantes, livrarias, postos de gasolina, além de inúmeras hospedagens que vão desde o mais simples, sem esquecer o conforto, até acomodações luxuosas, como bangalôs.
Uma das melhores áreas do parque para se hospedar e com melhores pontos de observação dos animais é a região sul, por conta dos rios que correm ali e que atraem uma concentração maior de animais, principalmente na época da seca. Por outro lado, é ali onde se concentra um maior número de visitantes e índices mais altos de chuva, nos períodos chuvosos.
2- Hospedagem nas Reservas Privadas
O lado ocidental do parque faz fronteira – mas sem demarcações formais – com uma área de 150 mil hectares de reservas naturais privadas que contam com diversos hotéis, muitos deles de altíssimo luxo, os chamados safari lodges. Ao contrário dos animais que têm trânsito livre por toda a área, para acessar as reservas é necessário estar hospedado ali.
Dentro destas reservas, é possível vivenciar o contato com os animais mais de perto e de forma mais intensa. Os veículos que realizam os passeios guiados não se atêm às trilhas demarcadas e podem seguir os animais, savana adentro.
Portanto, não se assuste se o guia enveredar por uma estrada esburacada em busca de um guepardo ou uma manada de búfalos que acabou de passar por ali. Por conta disso, os carros são menores, mais ágeis e acomodam, no máximo, nove pessoas. Estes não possuem cobertura em cima e nas laterais, o que torna o passeio ainda mais emocionante.
Assim como na porção pública, os game drives costumam durar entre três e cinco horas e acontecem sempre ao amanhecer e no fim da tarde, quando os animais estão mais ativos. Mais que observar os animais, os passeios são uma incrível jornada para conhecer o ambiente, a geografia e a vida pungente que o parque ostenta com uma fauna e flora com as maiores riquezas desta importante reserva natural sul-africana.
Destacamos algumas das principais reservas:
- Sabi Sand
É considerada uma das principais, com 65 mil hectares, e compartilha cerca de 50 quilômetros de fronteiras com a porção pública do parque. Possui algumas das acomodações de safári mais luxuosas do sul da África, incluindo Silvan Safari Lodge, Chitwa Chitwa, Londozi, Singita Sabi Sand e Sabi Sabi.
- Timbavati
Cobrindo uma área de mais de 68 mil hectares de savana, a reserva abriga uma grande variedades de aves de rapina, além dos incríveis leões brancos. Há acomodações de todos os tipos e para os mais variados tipos de viajantes, desde famílias, grupos de amigos ou casais em lua-de-mel, com lodges, acampamentos de luxo ou tradicionais chalés com telhado de colmo. Uma das principais hospedagens está o King’s Camp, que oferece safáris artísticos com o artista, Warren Cary.
- Manyeleti
Com apenas 23 mil hectares, a reserva está situada entre Timbavati e Sabi Sand e possui apenas três lodges e um de seus pontos fortes são as atividades destinadas a famílias com crianças, no Honeyguide Khoka Moya Camp. Além disso, os hóspedes também podem contar com os serviços de babás e as crianças contam com atividades destinadas exclusivamente a elas.
- Thornybush
Com cerca de 14 mil hectares, a Reserva Thornybush abriga 11 lodges, todos com acomodações de luxo e serviços exclusivos.
- Kapama
Composta por um misto de floresta aberta e ribeirinha, a Reserva Kapama oferece passeios de balão e a possibilidade de dormir ao ar livre. Há inúmeros lodges luxuosos, sendo o Kapama River Lodge e seus inúmeros tratamentos de beleza, um dos mais conhecidos.
3- Hospedagem nos arredores do parque
Apesar de as maiores emoções serem vividas enquanto se está hospedado no interior do parque ou em algumas das reservas privadas, é plenamente possível se hospedar fora do Kruger Park e fazer um self drive alugando um carro e dirigindo por lá ou contratar uma empresa que ofereça este tipo de serviço.
Como chegar ao Kruger Park
Chegar até ali é muito fácil. O parque fica a cerca de cinco horas de distância por uma estrada bem asfaltada e sinalizada a partir do aeroporto de Joanesburgo. Também dá para voar partindo tanto de Joanesburgo, quanto da Cidade do Cabo ou de Durban para os aeroportos de Nelspruit, Phalaborwa e Hoedspruit, e alugar um carro para chegar ao parque.
Mas, tudo depende de onde você ficará hospedado, lembrando que o parque é muito vasto. Além disso, é possível também fretar um avião direto para o lodge em que se fez reserva.
Quando ir
Vale a pena visitar o parque o ano todo por conta de sua localização geográfica e do clima favorável. Por estar situado em uma região subtropical, seus verões são quentes e chuvosos; e de outubro a março. Já o inverno dura de abril a setembro e as temperaturas são agradáveis, com dias mais quentes e secos e noites frias.
O que levar na mala
Para evitar chamar a atenção dos animais durante os passeios, dê preferência às roupas de cores claras e neutras. Apesar das altas temperaturas, não esqueça de calças e blusas de mangas compridas que ajudam a proteger a pele tanto do sol (durante o dia) e das temperaturas mais frias (à noite, principalmente no inverno), quanto das picadas de insetos.
Também dê atenção aos calçados, que devem ser muito confortáveis, resistentes e impermeáveis, como botas e coturnos. Outros itens obrigatórios são óculos de sol, boné, filtro solar, repelente e binóculos.
Fotos de celulares, comumente, não ficam tão bem nesse tipo de passeio. Como a distância dos animais pode ser de média para grande, uma máquina de fotografar com um bom zoom na lente costuma fazer fotos bem melhores.